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A banalização do discurso e o virtuosismo do homem político
   Luiz  André Medeiros  │     29 de maio de 2015   │     9:27  │  13

Aqui inauguramos um novo espaço de debate para as questões brasileiras e mundiais. Um novo portal de esperanças do capital social. As grandes causas políticas têm, hoje, “seguidores mil” que clicam no botão curtir no âmago das mídias digitais. Na nossa seara de Aldeia Global, hordas de amigos têm a ilusão de que traremos esperança da mudança com a simples troca de poder.

Essa experiência está se tornando cada vez mais comum – no nível individual, um dos paradoxos da degradação do poder que estamos passando, é que ele pode nos dar ferramentas para viver o momento, apesar de reduzir o horizonte de nossas escolhas – isso ocorre ao mesmo tempo em que se torna evidente que a maioria dos nossos problemas nacionais e internacionais não podem ser solucionados com medidas paliativas, exigindo, ao contrário, um esforço concentrado. Digo isso porque considero que estamos perdendo o momento mais importante de nosso sistema político. A reforma política está sendo conduzida pelo congresso. A pressão tem que estar lá. Temos que cercar Jericó com nossas trombetas.

Meus amigos, o modelo político do Estado representativo tá morto. Fundado nas revoluções burguesas dos séculos XVII e XVIII, esse poder e suas instituições estão conosco há muito tempo, e os poderosos continuam protegidos por barreiras quase intransponíveis. Durkheim já definia a Anomia como uma condição na qual “a regra é a ausência de regras”. Vivemos isso. Inventamos praticamente todas as grandes instituições políticas importantes- do partido político à democracia e ao governo representativo; da revisão judicial contra as injustiças à superioridade do poder civil contra o militar. Inventamos a liberdade religiosa, a Declaração de Direitos e a liberdade de expressão. E o que inventamos até agora pra acabar com a corrupção? Políticos honestos com novos discursos de uma nova política?

Vivi momentos lindos da retomada democrática desse país. Das primeiras eleições para prefeito em 85, as primeiras diretas para presidente em 89. Mas, o que agora está em curso é uma onda de inovações que promete mudar o mundo, aproveitando-se das mudanças tecnológicas das últimas décadas. E ela não pode ser de cima pra baixo, de cúpulas ou reuniões. Tem que vir da gente. E aí estamos perdendo o momento de buscar uma saída para essa crise, com a Reforma Política passeando no congresso de braços dados com políticos que não querem mudanças.

As grandes questões da reforma política estão relacionadas à forma de ocupação dos cargos proporcionais no legislativo, ao financiamento das campanhas e à adoção de um novo tipo de voto. As alterações nesses pontos são extremamente polêmicas e improváveis – a câmara já enterrou as possibilidades – em favor da democracia direta, devemos alterar as regras que regulamentam o artigo 14 da Constituição, ampliando o papel e a força dos plebiscitos, referendos e projetos de iniciativa popular. Algumas decisões centrais para o futuro do país – por exemplo, alienação dos recursos minerais ou das fontes de energia hidráulica da União – passariam a ser adotadas somente por meio de plebiscitos ou referendos.

Meus amigos, quando as barreiras caem, os poderosos ficam mais vulneráveis. Quanto mais drástica a erosão de qualquer dessas barreiras que protegem a classe política, mais peculiares serão os novos atores e mais rápida nossa ascensão. A portal da esperança abriu. Mas, tá se fechando rapidamente.

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