Estudo Dirigido
   Luiz  André Medeiros  │     2 de setembro de 2015   │     18:39  │  0

FOTO-01A Mercantilização da imagem:  vida real ou fantasia – as redes  sociais ditam o que fazer

Tese

A sobrevivência e segurança são fatores considerados como necessidades primárias. No que se refere às necessidades seguem uma ordem que tem início nas biológicas chegando às de autorrealização – em relação à criação da necessidade “passiva” ou “não urgentes”, que não surgem naturalmente, mas que são criadas pelo indivíduo. Desta forma, atribui um papel-chave ao próprio consumidor, uma vez que este adquire novas necessidades como consequência de imitar ou estimular o comportamento de outros consumidores.

Nesse sentido, o comportamento de acompanhar uma tendência faz com que este indivíduo se torne parte dessa sociedade. Assim, o consumo é considerado um fator de inclusão social. Por outro lado, quem não realizar essas práticas encontrará certa dificuldade no convívio com a sociedade de consumidores.

Para o consumidor contemporâneo não basta ter ou conquistar, é necessário mostrar-se para a sociedade. Este mostrar significa dar sentido para suas ações de consumo. A tecnologia auxilia neste processo de sentido de aparecer, com a contribuição das redes sociais digitais, como palco de exibição das riquezas.

MASCOTE-04            Fatos

A Análise Baumaniana

Não basta realizar um sonho.  Este tipo de consumidor somente se sente realizado por inteiro quando compartilha sua riqueza com a sociedade. Caso isso não ocorra, parece que de nada valeu, ou que não está completo se não obtiver a aprovação dos membros da sociedade que o cerca.  Acompanhar a sociedade, seja por necessidade ou por desejo, o ser humano tem a sua vida ligada 24 horas por dia em coisas consumíveis. Não dá para negar a dependência humana ao consumo.

“A ‘sociedade de consumidores’ é um tipo de sociedade que ‘interpela’ seus membros basicamente na condição de consumidores”, tornando-se uma sociedade “[…] que promove, encoraja ou reforça a escolha de um estilo de vida e uma estratégia existencial consumista, e rejeita todas as outras opções culturais alternativas.” (BAUMAN, 2008, p.2)

A sociedade não tem alternativa, senão a de consumir. O que leva a presumir que, numa sociedade de consumo, se não há consumo, não existe vida. O mais importante e necessário é consumir, ato mandatório para entrar na sociedade de consumo.

Slogans e publicidade

A massificação do gosto vem atender também ao estado de degradação da experiência estética da sociedade moderna, na qual se elaboram tendências culturais padronizadas para determinados grupos sociais, exigindo simultaneamente pouca reflexão e grande capacidade de assimilação das tendências projetadas a cada estação. Como o “homem-massa” segue afoitamente as palavras de ordem de slogans e os mandamentos seculares dos ícones sociais explorados pela publicidade, sua mente se torna um grotesco depositário de ideias heteróclitas, perdendo assim qualquer autonomia nas suas escolhas.

Vive-se, por conseguinte, conforme a moralidade do impessoal, pois agir de forma destacada da coletividade anônima é algo ofensivo para o falso pudor da moderna civilização das massas; esta, em vez de promover o refinamento intelectual e cultural do indivíduo, se esforça acima de tudo por anular as próprias noções de singularidade e originalidade, criando blocos humanos desprovidos de personalidade, para que se possa assim melhor controlá-los.

Visões Universalistas

Argumento Histórico

O consumo da sociedade pré-industrial do século XVIII, onde o consumo se resumia pela função de subsistência, conquistada por trabalhos manuais. Essas conquistas eram natas e não tinham um caráter de ostentação – início de uma sociedade com atividades de caça, trabalhos artesanais, senhores feudais.

Neste momento, particularmente a partir das Revoluções Industriais e, principalmente, com o advento da televisão, existe uma ruptura no que diz respeito ao modo de consumo. Com o crescimento industrial gerando bens em excesso, a oferta de produtos se torna maior do que o volume necessário para a subsistência, dando origem a uma sociedade diferente. Agora a sociedade passa a consumir muitas vezes sem precisar, por impulso ou simplesmente para não ficar fora da sociedade de consumo.

Argumento Sociológico

Considerando os princípios orientadores da sociedade pós-moderna – flexibilidade, fluidez, agilidade e efemeridade – a Internet e sua organização em rede adaptam-se perfeitamente e colaboram para o seu funcionamento. O virtual espalhou-se por todos os domínios, resultando na criação do ciberespaço, cuja influência está mudando a física social da vida humana, ampliando os tamanhos e poderes da interação social.

A nova instantaneidade do tempo, promovida pela Internet e os meios de comunicação abarcados por ela, mudou radicalmente a modalidade do convívio do humano e o modo como os indivíduos cuidam (ou não) de seus afazeres coletivos. Mais ainda, mudou também o modo como transformam certas questões em questões coletivas. Para o indivíduo, o espaço público não é muito mais que uma tela gigante em que as aflições privadas são projetadas sem cessar, sem deixarem de ser privadas ou adquirirem novas qualidades coletivas no processo da ampliação: o espaço público é onde se faz a confissão dos segredos e intimidades privadas.

Dessa forma, a grande transformação da sociabilidade em sociedades complexas ocorreu com a substituição das relações pautadas pela espacialidade, por redes como formas fundamentais de sociabilidade. Considerando a ascensão do individualismo pós-moderno, sob todas as suas manifestações, há o surgimento do chamado individualismo em rede, que constitui um padrão social e não um acúmulo de indivíduos isolados. A rede, portanto, centra-se em atores sociais, ou seja, indivíduos com interesses, desejos e aspirações, que têm papel ativo na formação de suas conexões sociais.

Na Internet, esses atores são constituídos de uma forma diferente devido ao distanciamento entre os envolvidos na interação social. Por não serem imediatamente discerníveis, trabalha-se com representações dos atores sociais ou construções identitárias do ciberespaço. Um ator pode, então, ser representado por um blog, um Twitter, ou até mesmo por um perfil em algum site de rede social, como o Facebook, por exemplo. Estas representações constituem-se enquanto atores por serem lugares de fala, espaços de interação construídos pelos autores objetivando expressar elementos de sua personalidade ou individualidade, estabelecendo uma presença do “eu” no ciberespaço.

MASCOTE-03   Problemáticas

O Surgimento de uma nova Comunidade

Uma das palavras que foram reconfiguradas pelas novas tecnologias é a “comunidade”. Segundo uma definição clássica, comunidade é um grupo territorial de indivíduos com relações recíprocas, que se servem de meios comuns para lograr fins comuns. No contexto social pós-moderno, o comunitarismo é uma resposta a acelerada liquefação da vida moderna, na qual os laços sociais são mais fluidos, menos fortes e mais amplos

A formação de comunidades implica a comunicação livre, horizontal, de muitos para muitos, assim como a formação autônoma de redes. Isto é, a possibilidade dada a qualquer pessoa de encontrar seu próprio “espaço” na Internet e, não o encontrando, de criar e divulgar sua própria informação, induzindo assim a formação de uma nova rede. Os blogs e seus tipos são um exemplo concreto deste cenário.

O Advento do Homem Massa

A moda é uma grande promotora da massificação orgânica da sociedade regida pelo sistema de burocratização da existência, pois ao prometer de forma falaciosa ao consumidor a oportunidade deste se destacar gloriosamente dos demais ao adquirir determinado gênero, faz na verdade que tal sujeito siga o sistema aglutinador de massificação. Se, na Antiguidade grega, um indivíduo obtinha o reconhecimento social pela realização de feitos extraordinários que superavam o padrão ordinário, em nossa moderna ordem burocrática da existência conquistamos o reconhecimento público consumindo os produtos previamente estabelecidos pelos sacerdotes da massificação cultural.

Como ninguém quer ficar fora de moda e assim ser estigmatizado como extravagante, todo um grupo social segue passivamente as palavras encantadas dos blogueiros, que promovem uma relação fetichista entre a mercadoria e a felicidade que supostamente pode vir a ser alcançada mediante o consumo do produto alardeado.

A Imagem do Indivíduo

Na sociedade moderna o consumo transcende ao ato de consumir produtos e serviços, e passa a transformar a imagem do indivíduo como um produto vendável.

O fato do consumidor fazer de si um alvo, um objeto que se apresenta nas redes sociais digitais para angariar a aprovação social, o torna um produto, uma imagem a ser “consumida”, aceita, elogiada. Por outro lado, corre-se o risco dessa imagem ser criticada ou reprovada pela própria sociedade onde esse indivíduo está imerso.

A ostentação 

Ostentar significa mostrar-se, exibir-se. Assim, para exibir algo é necessário possuí-lo, por isso a propriedade é o fator essencial para dar base à ostentação. Desde a sociedade pré-industrial, ostentar fazia parte da concretização de consumo, e consumir significa tomar posse de algo. Trazendo para contemporaneidade, o conceito de propriedade se transforma e evolui. Para os consumidores contemporâneos a posse de algo físico, a propriedade em si, já não é tão importante, o que prevalece é a possibilidade do acesso.

A posse traz satisfação às necessidades e aos desejos, o mesmo acontece na era do acesso, que também remete a uma sensação de realização ou gratificação, por meio da exposição na rede. O consumidor aguarda ansioso pela aprovação do que ostentou. Esta aprovação acontece momentos após uma postagem nas redes sociais digitais. Esperam que uma postagem seja ela qual for, (uma foto que exibe aquisição de um bem ou serviço ou de si mesmo como objeto a ser ostentado), sofra uma manifestação pelos pares da rede. Em geral o sucesso de uma postagem é medido pelo número de “curtidas” (com caráter positivo), significando que foi bem aceita e desta forma atingiu seu objetivo inicial, a ostentação.

Consumir como ato de diferenciação e os cuidados

Consumir é sinônimo de diferenciar-se, de distinção de classes. Ao mesmo tempo, o consumo por si só comunica e classifica o indivíduo com relação a sua posição social. A sociedade do século XXI não se difere em termos de consumo com relação às necessidades básicas e de autorrealização, com relação as de séculos anteriores, o que mudou foi a forma e os canais aos quais expõem suas “riquezas”. A diferenciação pelo consumo continua.

A questão do esvaziamento de pensamento, e valorização do ego, mostram que ao mesmo tempo em que existe certa dependência da aprovação social, há uma valorização dos “eus” criados pelo próprio indivíduo. A diferenciação pelo consumo sempre existiu e sempre existirá, o que precisa ser estudado em maior profundidade é como a sociedade irá lidar com o culto ao luxo e com a ostentação das selfs de modo a não valorizar mais as vidas imaginárias e se esvaziar em sabedoria.

 

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