Tema UNCISAL e Debate com os Autores
   Luiz  André Medeiros  │     4 de dezembro de 2015   │     6:52  │  0

Tema 4

          Mais um tema proposto pelo Projeto Saber em Debate voltado às temáticas para a UNCISAL. Nessa nova postagem, propomos, além de um tema bastante pertinente aos olhos da sociologia – e, consequentemente, relevante para o vestibular da universidade estadual de Alagoas, a qual segue as diretrizes do ENEM -, apresentamos também todo o arcabouço sociológico necessário para referenciar a redação da melhor forma possível, sempre trazendo as teses e visões universalistas que garantem para o vestibulando a nota máxima.

Saber em Debate com os Autores

Auguste Comte:

          Auguste Comte, fundador do Positivismo, emprega o termo ideologia atribuindo-lhe dois significados: como atividade filosófico-científica, que estuda a formação das ideias e, como um conjunto de ideias de uma época, que formam a opinião geral. Para Comte, a humanidade tende a passar por três fases: a fase fetichista ou teológica em que o homem explica a realidade por meio do mover divino; a fase metafísica em que o homem explica a realidade através de princípios gerais e abstratos; e a fase positiva ou cientifica em que o homem contempla a realidade, a analisa, formula leis gerais e cria uma ciência social que servirá de base para o comportamento individual e coletivo.

Destutt de Tracy:

          Destutt de Tracy criou o termo ideologia com o significado de ciência das ideias, tomando-se ideias no sentido bem amplo de estados de consciência. A ideologia segundo Destutt de Tracy, é: “ o estudo científico das ideias e as ideias são o resultado da interação entre o organismo vivo e a natureza, o meio ambiente.

Karl Marx:

          Karl Marx iria desenvolver uma teoria da ideologia concebendo-a como uma forma de falsa consciência cuja origem histórica ocorre com a emergência da divisão entre trabalho intelectual e manual. É a partir deste momento que surge a ideologia, derivada de agentes sociais concretos (os ideólogos ou intelectuais), que autonomizariam o mundo das ideias e assim inverteriam a realidade.

Portanto, a ideologia:

  • Constitui um corpo sistemático de representações que nos ensinam a pensar e de normas que nos ensinam a agir.
  • Determina a relação entre os indivíduos e as condições de existência deles, adaptando-os às tarefas prefixadas pela sociedade.
  • Camufla as diferenças de classe e os conflitos sociais, ora concebendo a sociedade como uma e harmônica, ora justificando as diferenças existentes.
  • Garante a coesão social e a aceitação sem críticas das tarefas mais penosas e pouco recompensadoras, em nome da vontade de Deus, do dever moral ou simplesmente em decorrência da ordem natural das coisas.

Características da ideologia:

Naturalização: 

          Consiste em aceitar como naturais situações que, na verdade, resultam da ação humana e, como tais, são Históricas. Ex.: afirmar que desde sempre existiam pobre e ricos.

Universalização

          Pelo qual os valores da classe dominante são estendidos aos que a ela se submetem. Ex.: empregada doméstica boazinha.

Abstração e aparecer social

          Resulta de uma abstração, ou seja, as representações ideológicas não se referem ao concreto, mas ao aparecer social. Ex.: a sociedade é “una e harmônica” é, portanto,  uma abstração.

Outras concepções de ideologia

  • Antonio Gramsci e a hegemonia – em um primeiro momento tem a função positiva de atuar como cimento da estrutura social. Quando incorporada ao senso comum, ajuda a estabelecer o consenso, conferindo hegemonia a uma determinada classe, que passará a ser dominante – com o consentimento da classe subalterna, forma um sistema orgânico articulado por uma cultura comum, difundida pelas instituições. Portanto, as ideologias são orgânicas e historicamente necessárias quando organizam as massas humanas, formam o terreno sobre o qual os homens se movimentam, adquirem consciência de sua posição.

Saída para Gramsci

          Exigência por parte dos trabalhadores da elaboração intelectual de seus próprios valores, uma vez que a ideologia vigente reflete os interesses da classe dominante. O Proletariado precisa, então, de intelectuais orgânicos contrapondo-se aos intelectuais tradicionais.

Jurgen Habermas: ciência e ideologia – relacionou ciência, técnica e ideologia para compreender como a consciência tecnocrática do mundo atual impõe-se em nome da economia e da eficiência. Na sociedade industrial avançada dos últimos anos é possível identificar o caráter ideológico de decisões de administradores e especialistas quando elas são justificadas em termos técnicos aparentemente neutros e não ideológicos.

Habermas distingue o agir instrumental da ação comunicativa

  • O agir instrumental diz respeito ao mundo do trabalho – nesse setor, aprendemos a desenvolver habilidades baseadas em regras segundo o qual Habermas chama de agir racional-com respeito-a-fins, ou seja, um saber empírico que visa a objetivos específicos e bem definidos, orientados para o sucesso e ai a eficácia da ação. Desse modo, na economia, o valor é o dinheiro; na política, o poder: na técnica, a eficácia.
  • O agir comunicativo refere-se ao mundo da vida e baseia-se nas regras de sociabilidade. Nesse âmbito as tarefas e habilidades repousam principalmente sobre as regras morais da interação. Pela comunicação livre de dominação, as pessoas procuram chegar ao consenso, ao entendimento mútuo (diálogo), expressando sentimentos, expectativas, concordância e discordância e visando ao bem-estar de cada um – trata-se do moo que deveria reger as relações em esferas como família, comunidades, organizações artísticas, cientificas, culturais etc.

Saída para Habermas

          O problema surge com a Racionalidade Instrumental e estende-se para outros domínios da vida pessoal, nas quais deveriam prevalecer a Ação Comunicativa. A saída não está em recusar a técnica e a ciência, mas em recuperar o “Agir Comunicativo” naqueles espaços em que ele foi colonizado pelo “Agir Instrumental”.

Produzindo o texto

Textos de apoio

Texto 1 – Agora todo mundo tem opinião – As pessoas têm formado crenças sem fundamento na era da internet

          “O problema da internet é que muita gente lê a enxurrada de bobagens não como opinião, mas como conhecimento.”

por Menalton Braff — publicado 03/04/2015

          Meu amigo Adamastor, o gigante, me apareceu hoje de manhã, muito cedo, aqui na biblioteca, e disse que vinha a fim de um cafezinho. Mentira, eu sei. Quando ele vem tomar um cafezinho é porque está com alguma ideia borbulhando em sua mente.

          E estava. Depois do primeiro gole e antes do segundo, café muito quente, ele afirmou que concorda plenamente com a democratização da informação. Agora, com o advento da internet, qualquer pessoa, democraticamente, pode externar aquilo que pensa.

          Balancei a cabeça, na demonstração de uma quase divergência, e seu espanto também me espantou. Como assim, ele perguntou, está renegando a democracia? Pedi com modos a meu amigo que não embaralhasse as coisas. Democracia não é um termo divinatório, que se aplique sempre, em qualquer situação.

Ele tomou o segundo gole com certa avidez e queimou a língua.

          Bem, voltando ao assunto, nada contra a democratização dos meios para que se divulguem as opiniões, as mais diversas, mais esdrúxulas, mais inovadoras, e tudo o mais. É um direito que toda pessoa tem: emitir opinião.

          O que o Adamastor não sabia é que uns dias atrás andei consultando uns filósofos, alguns antigos, outros modernos, desses que tratam de um palavrão que sobrevive até os dias atuais: gnoseologia. Isso aí, para dizer teoria do conhecimento.

Sim, e daí?, ele insistiu.

          O mal que vejo, continuei, não está na enxurrada de opiniões as mais isso ou aquilo na internet, e principalmente com a chegada do Facebook. Isso sem contar a imensa quantidade de textos apócrifos, muitas vezes até opostos ao pensamento do presumido autor, falsamente presumido. A graça está no fato de que todos, agora, têm opinião sobre tudo.

− Mas isso não é bom?

          O gigante, depois da maldição de Netuno, tornou-se um ser impaciente.

          O fato, em si, não tem importância alguma. O problema é que muita gente lê a enxurrada de bobagens que aparecem na internet não como opinião, mas como conhecimento. O Platão, por exemplo, afirmava que opinião (doxa) era o falso conhecimento. O conhecimento verdadeiro (episteme) depende de estudo profundo, comprovação metódica, teste de validade. Essas coisas de que se vale em geral a ciência.

          O mal que há nessa “democratização” dos veículos é que se formam crenças sem fundamento, mudam-se as opiniões das pessoas, afirmam-se absurdos em que muita pessoa ingênua acaba acreditando. Sim, porque estudar, comprovar metodicamente, testar a validade, tudo isso dá muito trabalho.

          O Adamastor não estava muito convencido da justeza dos meus argumentos, mas o café tinha terminado e ele se despediu.

Texto 2 – “O importante não é o que fazem de nós, mas o que nós próprios fazemos daquilo que fazem de nós”

Jean-Paul Sartre, o existencialismo é um humanismo

Saber em debate e a produção do texto

Introdução – Tese principal – a ideologia se manifesta através da imprensa e da publicidade – essas não vendem apenas produtos, mas também ideias.

Desenvolvimento 1 – Trabalhe a tese de como os produtos e ideias são veiculados e de como os valores influenciam a vida, pois consumimos estilos de vida e convicções políticas e éticas.

Desenvolvimento 2 – Fundamente a ideia que naqueles espaços em que a ideologia se manifesta, são os mesmos que possibilitam aprender, refletir e mudar.

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