Saber em Debate e a Competência I
   Luiz  André Medeiros  │     25 de julho de 2016   │     12:53  │  0

Laura - Saber em Debate revisão 1 andré

Vamos começar a conversa de hoje com uma “Aula de Matemática” de Tom Jobim:

“Pra que dividir sem raciocinar / Na vida é sempre bom multiplicar / E por A mais B / Eu quero demonstrar / Que gosto imensamente de você (…)
Prá finalizar, vamos recordar / Que menos por menos dá mais amor
Se vão as paralelas / Ao infinito se encontrar / Por que demoram tanto dois corações a se integrar? / Se desesperadamente, incomensuravelmente, / Eu estou perdidamente apaixonado por você.”

 ( https://www.vagalume.com.br/tom-jobim/aula-de-matematica.html )

          Nessa letra, o compositor brinca com conceitos matemáticos e menciona a questão do paralelismo nas retas. Consideram-se duas retas como paralelas quando são equidistantes durante toda sua extensão, não possuindo nenhum ponto em comum, apesar da afirmação de que elas se encontrarão no infinito.

E sobre paralelismo, vejamos o que diz o dicionário Houaiss:

         A relação entre o conceito matemático e o linguístico aparece quando se pensa na equidistância, na igualdade da distância entre os pontos, nas retas, e na igualdade das estruturas, na gramática.

2 fig.  semelhança, correspondência entre duas coisas ou entre ideias e opiniões; 4 gram sequência de frases com estruturas gramaticais idênticas

         Desse modo, paralelismo é o nome que se dá à organização de ideias e expressões de estrutura idêntica. Há dois tipos de paralelismo: o sintático, relacionado aos termos de mesma estrutura ou função sintática dentro de uma frase e o semântico, relacionado às ideias semelhantes dentro de uma frase.

Exemplo de paralelismo sintático:

  • O cientista não sóconduziu a pesquisa como tambémpublicou os resultados.

         Os termos não só e mas também ligam dois trechos gramaticalmente semelhantes. Observamos que elementos de coesão (conectivos) exercem papel fundamental no paralelismo sintático. A frase apresentaria uma quebra de paralelismo se fosse construída desta forma:

  • O cientista não sóconduziu a pesquisa como tambéma publicação dos resultados.

O defeito na construção seria devido ao emprego de um verbo (conduziu), de um lado da frase, associado a um substantivo (publicação), do outro lado da frase.

Exemplo de paralelismo semântico:

  • A menina tem dois irmãos e dois primos.

         Do ponto de vista semântico, foram relacionados laços de parentesco, mantendo-se, portanto, o paralelismo. Essa harmonia seria quebrada, se a frase relacionasse elementos de natureza diferente, como a seguinte:

  • A menina tem dois irmãos e dois violões.

         Algumas vezes, os escritores quebram propositalmente o paralelismo, para obter um determinado efeito de sentido, como fez Machado de Assis, ao se referir à “sinceridade” do amor de Marcela por Brás Cubas:

  • “Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis. ”

         Abaixo seguem algumas expressões e conectivos que ajudam no estabelecimento do paralelismo. Mas fique atento! Se empregar, de um lado da estrutura a primeira das formas, obrigatoriamente deverá empregar a segunda forma na continuação da frase ou expressão!

quanto mais…tanto mais;

  • seja… seja;
  • quer…quer;
  • ora…ora;
  • não… e não/nem;
  • por um lado…, por outro;
  • tanto…quanto
  • em primeiro lugar… em segundo lugar

         Esses não são os únicos modos de se estabelecer a relação de paralelismo, mas são bastante frequentes, por isso é bom ficar atento a eles.

         E voltando à “Aula de matemática”, observe que Jobim fecha os versos com três advérbios em paralelo, que também contribuem para a sonoridade, com a rima: “Se desesperadamente, incomensuravelmente, / Eu estou perdidamente apaixonado por você.”

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