Temas prováveis para o ENEM 2016 (30)
   Luiz  André Medeiros  │     3 de novembro de 2016   │     12:13  │  0

Temática de número 30 saindo agora, nessa tarde de quinta-feira, aqui no blog Saber em ora Debate. Confira mais uma produção realizada para que você tenha o melhor conteúdo para a prova do ENEM:

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Tese Principal – Os hábitos de vida do brasileiro estão longe de serem considerados saudáveis. Cada vez mais, o consumo de frutas, verduras, legumes e cereais tem estado em segundo plano, enquanto o consumo de alimentos com altos teores de gorduras, açúcar e sal cresce e é cada vez mais frequente. A atividade física é ausente, não estimulada pelo Estado, e as refeições principais dão lugar a lanches rápidos e nada nutritivos. Além da urbanização, a questão social também limita o acesso a alimentos saudáveis, que geralmente são mais caros, inviabilizando seu consumo pelas classes mais baixas.

Visões Universalistas

Argumento HISTÓRICO

          O século XX conseguiu consolidar o apartheid entre a humanidade e as dinâmicas próprias dos ecossistemas e da biosfera. Até o final do século XIX, a vida na terra, em qualquer que fosse o país, tinha estreitos laços com os produtos e serviços da natureza. O homem dependia de animais para a maior parte do trabalho, para locomoção e mal começava a dominar máquinas capazes de produzir força ou velocidade. Na maioria das casas, o clima era regulado ao abrir e fechar as janelas e, quando muito, acender lareiras, onde madeira era queimada para produzir calor.

Entendimento do Saber em Debate – Cem anos depois, a vida é completamente dominada pela tecnologia, pela mecânica, pela química e pela eletrônica, além de todas as outras ciências que tiveram um exponencial salto desde o final do século XIX. Na maior parte dos escritórios das empresas que dominam a economia global, a temperatura é mantida estável por equipamentos de ar condicionado, as comunicações são feitas através de telefones sem fio e satélites posicionados a milhares de quilômetros em órbita, as dores de cabeça são tratadas com comprimidos, e as comidas vêm em embalagens com códigos de barra.

Argumento Atual

          No conjunto dos componentes da segurança alimentar e nutricional, estão o crédito agrícola, a avaliação e a adoção de tecnologias agrícolas e industriais; os estoques estratégicos; o cooperativismo; a importação, a distribuição, a conservação e o armazenamento de alimentos; o manejo sustentado dos recursos naturais etc. As ações para garantir essa segurança extrapolam, portanto, o setor saúde, alcançando um caráter interssetorial, sobretudo no que respeita à produção e ao consumo, o qual engloba a capacidade aquisitiva da população e a escolha dos alimentos a serem consumidos, inclusive os fatores culturais que interferem em tal seleção.

Entendimento do Saber em Debate – É um equívoco pensar que civilização e meio ambiente são departamentos estanques. O moderno modo de vida das sociedades de consumo depende da resiliência dos ecossistemas em oferecer água, alimentos e todo o tipo de produtos minerais e vegetais necessários para a manutenção da sociedade do século XXI. A profunda descrença na capacidade humana em mudar é, na verdade, uma atitude inconsequente de uma geração acomodada no individualismo e no consumismo, onde as relações sociais se dão mais em redes cibernéticas do que no calor humano.

Argumento Jurídico

          Para produzir e vender qualquer alimento como orgânico, é preciso, segundo a Lei de 10.831/2003, comprovar que não foram usados adubos sintéticos, agrotóxicos ou sementes transgênicas no cultivo e, também, respeitar as leis trabalhistas dos empregados envolvidos no processo – juntam-se a toda burocracia regulatória outros entraves, como cooperativas mal articuladas e produtividade insuficiente, que fazem a agricultura orgânica e ecológica parecer não compatível com a demanda atual por alimentos. O preço e a disponibilidade destes produtos são os principais pontos que dificultam a adesão dos consumidores aos orgânicos.

Entendimento do Saber em Debate – Apesar do entusiasmo com a agroecologia, a realidade é outra, pois a produtividade dos orgânicos ainda é muito distante da do agronegócio. Mesmo assim, a agricultura familiar tem grande importância para os abastecimentos dos mercados brasileiros – ocupando aproximadamente 25% da área agricultável do País, o modelo familiar ainda corresponde a 38% da produção gerada no Brasil e a complexidade dos processos de cultivo desses alimentos não é respondida pela modelo de agricultura patronal – destacar que no Brasil, de 5,1 milhões de propriedade rurais, 4,3 mi são de agricultura familiar, com 12 milhões de trabalhadores.

 

Teses para o Desenvolvimento

 1ª Tese – Modificar a base alimentícia.

          A alimentação aderida pelo homem moderno tem como base gorduras animais, carnes, carboidratos e açúcar, o que causa um grande impacto social e ambiental, tendo em vista demandar uma produção agrícola voltada para a forragem animal.

Construindo o Texto – Trabalhar a ideia de que o brasileiro tem ingerido pouca quantidade de frutas, verduras e hortaliças e cada vez mais alimentos com um teor de gordura elevado, com grandes quantidades de açúcar ou sal. Ainda, o cotidiano de milhões de brasileiros é marcado pela ausência de prática de atividade física e pela troca de refeições completas por lanches rápidos e pouco ou nada nutritivos – destaque que o agronegócio não produz alimento, produz PIB, relações exteriores, negócios. Ele produz soja, biodiesel, cana, algodão, não produz comida – arroz, feijão, mandioca já não são produzidos pelo agronegócio. Já se produz o suficiente no mundo para alimentar o que está previsto até 2050 de aumento da população. Introduza a ideia de que o transgênico vai continuar a excluir pequenos de produzir e vai colocar na mão dos grandes a produção do não-alimento.

2ª Tese – Eliminar a discrepância social.

          Dentre outros fatores, a questão social é ainda fator limitador do consumo de alimentos nutritivos, por serem mais caros. Dessa forma, pessoas de baixa renda tendem a comprar alimentos pouco saudáveis – defender o consumo de produtos orgânicos pelo viés ambiental e nutricional, já que os benefícios do consumo dos orgânicos são uma questão mais plural, que beneficiam uma série de setores.

Construindo o Texto – Trabalhar a ideia de que, na verdade, esses vieses parecem que são separados, mas são costurados pelo contexto de saúde coletiva. A saúde coletiva implica condições sociais, ambientais e de estilo de vida saudáveis. Quando se olha na perspectiva de saúde coletiva, para você ser saudável você tem que trabalhar, ter dignidade, estar com quem gosta em um ambiente sustentável para ter saúde. Nessa perspectiva, o alimento orgânico de origem familiar vai ao encontro do ideal capitalista, porque vai dignificar o agricultor, e isso repercute na qualidade de vida nas grandes cidades na questão do desemprego – Destaque que tudo isso tem a ver com a saúde social urbana. E na saúde ambiental também, porque não adianta comer bem se o ar e o mar estiverem poluídos, se o clima estiver desequilibrado, causando repercussões sociais porque o ambiente não é só o indivíduo.

 

Solução

          O financiamento da agricultura brasileira é de 25% para agricultura familiar e 75% para agronegócio – e mesmo com 25%, a agricultura familiar corresponde a 80% do que a gente come. Faltam incentivos e sensibilização do consumidor. Destaque que o consumidor, ao buscar mais e ao querer mais orgânicos, pode procurar por políticos que apoiem isso e, também, forçar o preço a baixar. A problemática do preço tem de ser compartilhada uma vez que o alimento ainda é uma mercadoria, quanto maior a compra, maior a oferta.

 

Detalhamentos

  • Estimular a discussão entre poder público, mídia e sociedade para traçar estratégias e buscar a realização de ações que efetivamente garantam alimentos saudáveis e da fácil acesso;
  • Realizar, dentro do âmbito da sociedade civil, ações de conscientização sobre a importância da manutenção de hábitos de vida saudáveis;
  • Diminuir os impostos cobrados nos itens alimentícios básicos para facilitar o acesso universal.

Redação da aluna CARLA GUIMARÃES

          Todo ser humano tem direito a um padrão de vida que lhe assegure saúde e bem-estar, sendo responsabilidade do Estado assegurar as condições para uma alimentação saudável e nutritiva. Em virtude das mudanças no cenário tecnológico e social da indústria alimentícia, a nutrição adequada da sociedade moderna tem se tornado um grande desafio a humanidade. Ou seja, a realidade demonstra que o problema não está necessariamente na escassez de alimentos, e sim no enorme desperdício, na má distribuição e na utilização de transgênicos dentro de uma estratégia capitalista de mercado.

          A partir da segunda metade do século XX, o desenvolvimento e a urbanização acelerados passaram a modificar a base alimentícia e os hábitos de consumo da sociedade no intuito de facilitar e agilizar o acesso aos alimentos, uma vez que as refeições passaram a ser feitas, na maior parte das vezes, fora de casa. Entretanto, os novos padrões utilizados pelas redes de “fast-foods” estimular um consumo de péssimo valor nutricional que vai de encontro ao direito do homem em ter uma alimentação saudável e segura.

          Um outro elemento fundamental que necessita ser compreendido no contexto capitalista é a transformação de alimentos saudáveis em produtos lucráveis em detrimento do bem-estar das pessoas. Com a mecanização e a industrialização da produção, os alimentos passaram a ser modificados geneticamente, ou seja, transformados em sua composição original, para atender a uma demanda de mercado em larga escala, cujos reflexos mostram-se extremamente prejudiciais.

          O direito a uma alimentação saudável dever ser entendido em conjunto com as esferas econômicas, sociais e culturais, onde deve prevalecer um padrão de vida satisfatório e de qualidade. Nesse sentido, devem se realizadas ações de conscientização, através de campanhas e projetos, para garantir o acesso e a informação com relação aos hábitos de vida saudáveis. Ainda, o fornecimento de subsídios para o fortalecimento da produção de orgânicos é fundamental para uma mudança paradigmática na alimentação.

 

ESPELHO DA REDAÇÃO DO SABER EM DEBATE

TEMA Como garantir o acesso universal à comida saudável no Brasil

COMP. I DEMONSTRAR DOMÍNIO DA NORMA CULTA 180 Demonstra excelente domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa e de escolha de registro. Desvios de convenção ou gramaticais: vírgula, pronome relativo e acentuação.
COMP. II COMPREENDER A PROPOSTA DE REDAÇÃO 200 Desenvolve o tema por meio de argumentação consistente, a partir de um repertório sociocultural produtivo e apresenta ÓTIMO domínio do texto dissertativo-argumentativo.
COMP. III CAPACIDADE DE SELECIONAR E ORGANIZAR AS INFORMAÇÕES 200 Apresenta informações, fatos e opiniões relacionados ao tema proposto, de forma consistente e organizada, CONFIGURANDO AUTORIA, em defesa de um ponto de vista. É NECESSÁRIO MAIS PROGRESSÃO ARGUMENTATIVA.
COMP. IV DEMONSTRAR DOMÍNIO QUANTO AOS ELEMENTOS COESIVOS 180 Articula as partes do texto com poucas inadequações e apresenta repertório diversificado de recursos coesivos. É necessário estar ciente dos três mecanismos coesivos: referencial, sequencial e lexical, PRINCIPALMENTE ESTA ÚLTIMA.
COMP. V APRESENTAR PROPOSTA DE INTERVENÇÃO 200 Elabora PERFEITA proposta de intervenção relacionada ao tema e articulada à discussão desenvolvida no texto.

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