Redação em Debate – Temáticas para UNCISAL
   Luiz  André Medeiros  │     30 de novembro de 2016   │     18:21  │  2

O Projeto Redação em Debate, pensando em seus seguidores e na prova tão exigente de redação da UNCISAL, disponibilizará temáticas aqui no blog. Confira a primeira delas a seguir:

3 - O desafio de amar nas relações atuais

Tese Principal – Na óptica de Zygmunt Bauman, nossa sociedade vive o fenômeno da “multidão solitária” em que as pessoas convivem lado a lado, mas dificilmente aprofundam contatos, o que torna cada vez mais raro o relacionamento genuíno entre dois indivíduos – as pessoas se tornam coisas que podem ser adquiridas, consumidas e descartadas ao gosto do usuário, trocando-o por outro que aparentemente se demonstre como mais “interessante” no momento.

 

Visões Universalistas

Argumento Sociológico

Ser livre pressupõe uma responsabilidade difícil de suportar perante a opressão de nossa líquida vida social, cada vez mais diluída na ausência de uma autêntica compreensão e valorização do “outro”, que é sempre imputado como o estranho, jamais um potencial indivíduo capaz de interação. As parcerias não se fortalecem e os medos não se dissipam. A grande ameaça, no contexto amoroso, decorre da incapacidade de compreendermos o valor afetivo de nossos interlocutores. Conforme diz Zygmunt Bauman acerca dessa dinâmica afetiva, “é preciso diluir as relações para que possamos consumi-las”

Entendimento do Saber em Debate – O interlocutor se torna uma mera imagem sensual a ser consumida e ejetada sem maiores delongas do círculo de contatos e do próprio âmbito da percepção pessoal. Pessoas retraídas se tornam poderosamente sedutoras através da mediação eletrônica, conseguindo extravasar as disposições sensuais que permaneceriam recalcadas em circunstâncias concretas. A assepsia das relações virtuais e a descartabilidade do que Bauman denomina como “relacionamentos de bolso” são a tônica do “amor líquido”, pois pode-se dispor deles quando necessário e depois tornar a guardá-los. Os ditos “relacionamentos virtuais” são assépticos e descartáveis, e não exigem o compromisso efetivo de nenhuma das partes pretensamente envolvidas nessa interação eletrônica.

Argumento Filosófico

É um mundo de incertezas, cada um por si. Temos relacionamentos instáveis, pois as relações humanas estão cada vez mais flexíveis. Acostumados com o mundo virtual e com a facilidade de “desconectar-se”, as pessoas não conseguem manter um relacionamento de longo prazo. É um amor criado pela sociedade atual (modernidade líquida) para tirar-lhes a responsabilidade de relacionamentos sérios e duradouros. Pessoas estão sendo tratadas como bens de consumo, ou seja, caso haja defeito descarta-se – ou até mesmo troca-se por “versões mais atualizadas”.

Entendimento do Saber em Debate – Para ser feliz há dois valores essenciais que são absolutamente indispensáveis, um é segurança e o outro é liberdade. Você não consegue ser feliz e ter uma vida digna na ausência de um deles. Segurança sem liberdade é escravidão. Liberdade sem segurança é um completo caos. Cada vez que você tem mais segurança, você entrega um pouco da sua liberdade. Cada vez que você tem mais liberdade, você entrega parte da segurança. Então, você ganha algo e você perde algo.

 

Teses para o Desenvolvimento

1ª Tese – Entender o acomodamento social.

As facilidades comunicacionais das nossas convergências midiáticas, em vez de favorecem o aumento de participação na esfera pública, geram um curioso efeito reverso de acomodamento social dos indivíduos, cada vez mais embotados pelo amálgama de informações que são reproduzidas diariamente pela estrutura midiática.

Construindo o Texto – Trabalhe a concepção de que as redes sociais, que, utilizadas de maneira crítica e consciente, promovem mecanismos de politização e interatividade interpessoal e, na dinâmica do “amor líquido” se tornam apenas utensílios quantitativos para a ampliação do número de amigos.

2ª Tese – Perceber a reificação dos indivíduos

O consumo está tão enraizado em nossa sociedade que as pessoas estão se consumindo como se fossem mercadorias. A “coisificação” do ser humano e o anseio pela novidade é o motor propulsor da sociedade de consumo e das relações interpessoais

Construindo o Texto – Trabalhar a ideia de que nessa dinâmica existencial, ninguém é considerado insubstituível e toda ideia de singularidade se torna um argumento vazio. Nesse processo de dissolução da dignidade humana, “a pessoa não se preocupa com sua vida e felicidade, mas em tornar-se vendável” e nisso as relações midiáticas são um meio para relações comerciais – as relações amorosas se tornam apenas um meio de obtenção imediata de prazer sexual, e de modo algum uma genuína interação interpessoal, pautada pelo respeito e pela armação do valor humano do outro. 

3ª Tese – Analisar a ansiedade e o distanciamento.O desejo habita a ansiedade e se perde no consumismo imediato. A sociedade está marcada pela ansiedade, reina uma inabilidade de experimentar profundamente o que nos chega, o que importa é poder descrever aos demais o que se está fazendo.

Construindo o Texto – Mostre que, em tempos de Facebook e Twitter não há desagrados, se a pessoa não gosta de uma declaração ou um pensamento, deleta, desconecta, bloqueia. Perde-se a profundidade das relações; perde-se a conversa que possibilita a harmonia e também o destoar. Nas relações virtuais não existem discussões que terminem em abraços vivos, as discussões são mudas, distantes. As relações começam ou terminam sem contato algum e analisa-se o outro por suas fotos e frases de efeito.

Conclusão

Coloque no texto que amor autêntico por uma pessoa não pode se fundamentar apenas em um contrato moral-jurídico-religioso, mas sim em uma poderosa celebração regida pela espontaneidade e pela alegria. O respeito verdadeiro pelo ser amado não brota pelo cumprimento de um formalismo contratual, mas sim pelo cuidado para com ele, nascido do sentimento de alteridade. Porém, essa experiência é incompatível com o regime de descartabilidade capitalista, no qual todas as coisas devem ser de pouca durabilidade, de modo que a roda do consumo jamais se paralise – a degradação da condição humana na experiência amorosa da sociedade tecnocrática provém da manifestação do medo social diante da incerteza em relação ao futuro cada vez mais problemático, assim como expressão da incapacidade humana de aceitar desafi­os, e não um suporte para o preenchimento do vazio interior produzido pela participação em uma realidade degradante.

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COMENTÁRIOS
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    1. Luiz André Medeiros Post author

      Olá Andressa, aqui é equipe do Projeto Saber em Debate. Disponibilizamos para a Uncisal apenas o tema de número 3. Esse foi apenas um conteúdo demonstrativo do material fornecido em nossa isolada. Conheça um pouco mais do nosso projeto através do número 3031-3610.

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