Falando sobre REGÊNCIA VERBAL
   Luiz  André Medeiros  │     4 de abril de 2017   │     18:11  │  0

reduzida

Por Isabele Barros, Professora colaboradora do Saber em Debate

 

          A língua escrita e a língua falada no Brasil hoje são diferentes em alguns aspectos. A regência verbal é um dos itens gramaticais que apresentam maiores divergências. Grande parte dos problemas de regência pode ser resolvida com a consulta a dicionários especializados. É viável recordar que grande parte do nosso conhecimento escolar, percebe-se que nossa regência se limita aquela “decoreba” das grandes listas de verbos. A regência verbal vai muito além disso, pois ela estuda as relações entre as palavras.  Em geral, as palavras de uma oração são interdependentes, isto é, relacionam-se entre si para formar um todo significado. Essa relação necessária que se estabelece entre duas palavras, uma das quais serve de complemento a outra, é o que se chama de REGÊNCIA. A palavra dependente denomina-se REGIDA, e o termo a que ela se suborna REGENTE.

          As relações de REGÊNCIA podem ser indicadas:

  • Pela ordem por que se dispõem os termos na oração;
  • Pelas preposições, cuja função é justamente a de ligar palavras estabelecendo entre elas um nexo de dependência;
  • Pelas conjunções subordinativas, quando se trata de um período composto.

Observem os exemplos a seguir:

  1. I) As garotas amam
  2. II) As garotas gostamde maquiagens.

          Na primeira frase, o verbo “amar” exige um complemento(“maquiagens”) não preposicionado. Já na segunda sentença, percebemos que o verbo “gostar” exige um complemento preposicionado (“de maquiagens”).  Logo, os verbos em destaque acima se diferem quanto à regência. Os erros de regência são muito corriqueiros na língua falada que não condiz com a linguagem culta.  Observe a imagem a seguir:

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          Apesar da veracidade da mensagem acima, ela apresenta um erro de regência tão comum na oralidade informal. Reparem que há, na imagem acima, um erro clássico de regência incluindo o verbo “preferir”, que exige dois complementos: um sem preposição e o outro com a preposição A. Além disso, não se deve usar palavras como: mais, muito mais, antes, mil vezes, nem que ou do que.

  • Eu oro, pois prefiro as marcas nos meus joelhos às feridas no meu coração.(CORRETO)

Selecionamos alguns verbos que costumam gerar dúvidas no ENEM:

ASPIRAR

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  • É transitivo direto quando significa “inalar”, “respirar”, “sorver”:

Os maceioenses aspiram um ar prejudicial à sua saúde.

Ela aspirou o ar puro do interior.

  • Na acepção de “desejar”, “pretender”, esse verbo tem outra regência – é transitivo indireto e rege a preposição “a”:

Os alunos do Saber em Debate aspiram a uma aprovação no ENEM.

 

ASSISTIR

 

  • No sentido de “prestar ajuda”, é transitivo direto:

Prefeitura pede colaboração de voluntários para assistir desabrigados pela chuva.

  • No significado de “presenciar”, “ver”, é transitivo indireto, pede a preposição a, e não admite lhe como complemento;

O estudante assiste a vários debates e audiências.

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  • No sentido de “pertencer”, “caber”, é transitivo indireto e admite lhe como complemento;

Este direito assiste ao cliente.

 

  • Na acepção pouco usada de “morar”, “residir”, é intransitivo e pede por complemento um adjunto adverbial de lugar;

               Os moram assistem em humilde casa.

IMPLICAR

  • No sentido de “trazer como consequência”, acarretar, o verbo “Implicar” é transitivo direto:

A assinatura de um contrato implica a aceitação de todas as suas cláusulas.

  • Nos sentidos de “envolver”, “enredar”, “comprometer”, o verbo “Implicar” é construído com dois complementos (direto e indireto):

Falsos amigos implicaram o jornalista na conspiração.

  • Nos sentidos de promover rixas, mostrar má disposição para com alguém, o verbo “Implicar” é transitivo indireto.

Marcos era uma criatura que implicava com todo o mundo

 

OBEDECER

  • “Obedecer” é um verbo que sempre se constrói com objeto indireto

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Os filhos obedecem aos pais.

 

Obs.: Embora Transitivo Indireto, admite forma passiva:

Os pais são obedecidos pelos filhos.

O antônimo “Desobedecer” também segue a mesma regra.

MORAR, RESIDIR

  • Trabalham com a preposição EM e não com a preposição A, como, algumas vezes, acontece.

Moro em Maceió.

Resido no Rio de Janeiro.

SER

  • É incorreta a construção ser + preposição EM. Logo:

Somos seis. (CORRETO)

Somos em seis. (INCORRETO)

SIMPATIZAR

  • Exige a preposição COM.

Simpatizei com aquele rapaz.

ATENÇÃO

O verbo simpatizar não é pronominal. Dessa forma, não existe “simpatizar-se”, nem “antipatizar-se”.

O meu pai se simpatizou com meu novo amigo. (INCORRETO)

Visar

  • É transitivo direto nas acepções de “pôr o sinal de visto em”; “apontar arma de fogo”.

Visar um passaporte

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Visa sempre o mesmo alvo

  • No sentido de “ter em vista um fim”, “dirigir os seus esforços para”, “tender”, constrói-se como transitivo indireto, com a preposição a

Os conspiradores presos visavam provavelmente a estabelecer a internacional socialista” (Camilo Castelo Branco).

Bons estudos!

CEGALLA, Domingos Paschoal.Dicionário de Dificuldades da Língua Portuguesa. 2. ed. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1999. p. 413-414.
LUFT, Celso Pedro.Dicionário Prático de Regência Verbal. 8. ed. São Paulo: Ática, 1999. p. 534.
CUNHA, Celso. Gramática do Português Contemporâneo. 7 ed. Belo Horizonte: Bernardo Álvares, 1978.

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