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Redação do Aluno Saber em Debate e o Espelho de Correção
   Luiz  André Medeiros  │     19 de setembro de 2017   │     21:07  │  0

Mais uma terça-feira em nosso blog repleta de conhecimento com a apresentação de mais uma temática de grande relevância para o ENEM e demais vestibulares. Para isso, trouxemos a redação do aluno Gabriel Alves Oliveira, do nosso curso presencial, redigida com excelência. Confira o texto abaixo e o nosso espelho de correção:

 

Redação do Aluno Gabriel Alves Oliveira:

Com o advento da internet, tornaram-se eficientes e rápidas as comunicações interpessoais. Entretanto, ao direcionar a óptica crítica ao seu uso na contemporaneidade, percebe-se a falta de unidade entre as pessoas, no que tange a convergir suas ideias para fins primordiais, como a política. Essa desconexão social, coadunada à falta de representatividade nas instâncias públicas, conferem distanciamento entre o cidadão e a prática da cidadania.

O esfacelamento da conexão social na internet vai de encontro ao conceito de “Capital Social”, do sociólogo Robert Putnam, no qual revela que a participação mútua entre as pessoas, imbuídas de espírito político, é sine qua non para fincar uma sociedade harmônica e com pleno gozo de cidadania. Outro complicador é a deficiente interlocução entre cidadão e representante- o político- ao passo que a escassez de plataformas digitais para esse fim, bem como a desigualdade de acesso à internet presente no Brasil, corroboram a maximizar a lacuna supracitada.

Por conseguinte, a sensação de não possuir voz no âmbito político do país, como também a de mal- estar social- por não crer em uma possibilidade de mudança desse quadro- assola grande fração da sociedade. Além disso, o país deixa de ter um desenvolvimento econômico, uma vez que, consoante o economista Bernardo Kliksberg, o associativismo entre as pessoas e a confiança que elas têm em seus representantes aumentam as suas produtividades.

A coesão social, por intermédio da internet, é, sem dúvida, fundamental para minimizar um problema que a atinja a sociedade. A Primavera Árabe, em 2011, demonstrou isso, quando jovens oriundos do Oriente Médio se uniram, com o auxílio das redes sociais, contra os governos ditatoriais dessa região. Nesse contexto, na Tunísia, houve uma reforma constitucional, com participação popular, tendo-se como interlocução uma plataforma digital, o que revela possível o uso da internet como propulsor da participação política dos cidadãos.

Logo, é dever da Comissão de Legislação Participativa criar um site, aos moldes de uma “ágora virtual”, que permita incluir e debater projetos de leis- formulados pelos próprios cidadãos- com a possibilidade de serem sancionadas pela União, de forma a dar voz e vez às pessoas comuns. Para viabilizar tal proposta, a universalização do acesso à internet, no Brasil, torna-se premência dos governos municipais, juntamente com a parceria de empresas privadas especializadas em distribuir internet por fibra óptica para, assim, tornar presente a participação civil na internet. Esta, respaldada pela ânsia por uma mudança social no quadro social vigente, de modo a haver um capital social rígido, para que o cidadão possa de forma gradual, aproximar-se da prática da cidadania.

 

ESPELHO DE CORREÇÃO – REDAÇÃO EM DEBATE:

COMPETÊNCIA 1 – o texto alcança a nota 160 devido aos desvios de norma culta encontrados, a saber: linha 1 – falta de acordo verbal; linha 4, regência verbal inadequada; linha 11, vírgula inadequada e linha 21, ausência de vírgula.

COMPETÊNCIA 2 –  nota 200 – o texto é escrito de maneira a respeitar a estrutura dissertativa, ao passo que já inicia a sua produção de forma contextualizada ao especificar que, com o advento da internet, a comunicação interpessoal tornou-se eficiente e rápida. Além disso, desenvolve o tema por meio de argumentação consistente, com a seleção de teses pertinente à proposta solicitada, a partir de um repertório sociocultural produtivo e apresenta excelente domínio do texto dissertativo-argumentativo.

COMPETÊNCIA 3 –  é alcançada a nota máxima (200), uma vez que o aluno demonstra defesa de ponto de vista de forma coerente ao analisar fatos sociais abordados como teses. Em primeiro plano, cita o espaço virtual como alicerce para fortalecer a participação social e política do cidadão brasileiro. Além disso, faz uso de uma das convicções do sociólogo Robert David Putnam ao enfatizar que o engajamento social diminui os problemas da sociedade. Na sequência do texto, aponta que as diversas formas de participação política no meio virtual surtem efeitos positivos e cita a Primavera Árabe, em 2011, no Oriente Médio.

COMPETÊNCIA 4- 200 pontos – demonstra total habilidade coesiva. Mantém uma postura segura dentro dos aspectos dos elementos remissivos: anafóricos e catafóricos.

COMPETÊNCIA 5 – 200 pontos – a pontuação máxima acontece devido à apresentação de propostas que se dispõem a resolver os fatos sociais dispostos em forma de teses. As intervenções são sequenciadas com todas as etapas de detalhamento: os agentes mobilizadores são enfatizados, bem como as propostas são apontadas em forma de ação, há, também, a maneira como elas serão executadas e o objetivo de cada uma.

NOTA FINAL DO ALUNO: 960 PONTOS

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Tema da Semana – O Estado democrático de direito e a questão agrária: cidadania e reforma agrária na construção da democracia
   Luiz  André Medeiros  │     14 de setembro de 2017   │     12:08  │  0

O nosso blog retorna mais uma vez com uma temática de suma importância para quem deseja prestar os mais diversos vestibulares. A relação entre o Estado democrático de direito e os processos agrários no Brasil são alvo de frequente discussão nas mais diversas mídias de massa. Dessa forma, o projeto Redação em Debate busca, mais uma vez, trazer o melhor conteúdo sobre o tema para seus alunos e acompanhantes do blog. Confira a abordagem do tema abaixo:

Tese Principal

Por que teorizar sobre Democracia e Estado, pensar a intensificação democrática e a abertura institucional estatal à soberania popular, aproximando estas questões da temática agrária? A posição é a de que realizar a reforma agrária, de forma efetivamente participativa e democrática, é instaurar o processo de construção da democracia no campo. O campo sofre intensamente com o déficit democrático e com a ausência de instituições a albergarem as necessidades de sua população. Daí advém o caráter primordial da reflexão que envolva estes elementos: campo-Estado-democracia. Fazer reforma agrária é construir a democracia rural.

 

Visões Universalistas

Argumento Jurídico

Determina a Constituição que a pequena e média propriedade rural são insuscetíveis de desapropriação, para fins de reforma agrária, desde que o proprietário não possua outra propriedade (art. 185, I). Este inciso se justifica pelo fato de que as propriedades nele mencionadas são propriedades com função individual, não podendo, portanto, serem desapropriadas com fulcro no interesse social, para fins de reforma agrária.

Entendimento do Saber em Debate – Propriedades com função individual são aquelas que servem à garantia da subsistência individual e familiar (e, por conseguinte, servem à dignidade da pessoa humana), consistindo em um direito individual, e, como tal … (TEXTO COMPLETO EM NOSSO MATERIAL DO CURSO PRESENCIAL SEMIEXTENSIVO)

A Lei 8.629/93, que regulamentou os dispositivos constitucionais atinentes à reforma agrária, reproduziu os requisitos da função social elencados na Constituição, e explicitou nos parágrafos do artigo … (TEXTO COMPLETO EM NOSSO MATERIAL DO CURSO PRESENCIAL SEMIEXTENSIVO)

 

  • 2º Considera-se adequada a utilização dos recursos naturais disponíveis quando a exploração se faz respeitando a vocação natural da terra, de modo a manter o potencial produtivo da propriedade.
  • 3º Considera-se preservação do meio ambiente a manutenção das características próprias do meio natural e da qualidade dos recursos ambientais, na medida adequada à manutenção do equilíbrio ecológico da propriedade e da saúde e qualidade de vida das comunidades vizinhas.

Argumento Sociológico

Na questão atinente à demanda por direitos (e não por caridade), faz-se necessário destacar um elemento ainda mais prosaico: de nada adianta este modelo de democracia liberal universalizar as liberdades e não concretizar os demais direitos fundamentais, como os direitos sociais. A este respeito, opina o sociólogo polonês Zygmunt Bauman que se os direitos políticos podem ser usados para enraizar e solidificar as liberdades pessoais assentadas no poder econômico, dificilmente garantirão liberdades pessoais aos despossuídos, que não têm direito aos recursos sem os quais a liberdade pessoal não pode ser obtida nem, na prática, desfrutada.

Entendimento do Saber em DebateBauman afirma que sem os direitos sociais, … (TEXTO COMPLETO EM NOSSO MATERIAL DO CURSO PRESENCIAL SEMIEXTENSIVO)

 

Teses para o Desenvolvimento

1ª Tese – Harmonizar a Ordem Econômica com a Ordem Social

A política econômica tem como aspecto primordial, em se tratando da realidade dos países subdesenvolvidos, a realização das reformas estruturais, devendo o Estado atuar intensivamente no sentido da modificação das estruturas socioeconômicas, bem como para distribuir renda e integrar a população de uma perspectiva social e política. A política econômica deverá contemplar a questão agrária, principalmente através da política agrícola, em conjunto com a política social, ambiental e em consonância com estas e outras políticas.

Interpretando o Texto – Para que a reforma agrária cumpra a aludida vocação de materializar as diretrizes da constituição econômica brasileira é imperioso que venha acompanhada de uma política agrícola suficiente a tornar os assentamentos produtivos, viáveis, através do … (TEXTO COMPLETO EM NOSSO MATERIAL DO CURSO PRESENCIAL SEMIEXTENSIVO)

2ª Tese – Proporcionar uma política agrária viável

Urge salientar que para que a reforma agrária seja viável mister que venha associada a uma política agrícola adequada, voltada a proporcionar produtividade ao campo, através dos diversos instrumentos a ela vinculados. A própria Constituição determina que a política agrícola seja compatibilizada com a reforma agrária (art. 187, § 2º). A este respeito a conceituação de Reforma Agrária não se prende apenas ao aspecto da distribuição das terras. É mais abrangente, porque envolve a adoção de outras medidas de amparo ao beneficiário da reforma, que são chamadas de Política Agrícola.

Interpretando o Texto – A Constituição tratou da política agrícola (art. 187), que deverá abarcar uma gama de providências estatais, no sentido de proporcionar… (TEXTO COMPLETO EM NOSSO MATERIAL DO CURSO PRESENCIAL SEMIEXTENSIVO)

 

Solução

Em síntese, alguns pilares desta nova construção de uma reforma agrária plena seriam: a construção de espaços públicos de participação política do povo voltados à elaboração e fiscalização de políticas públicas orientadas à conformação de uma reforma agrária substancial, pensada conjuntamente com a política agrícola a ela direcionada; à instituição aventada deverá ser atribuído poder deliberativo, para que não se constitua em mais um espaço de cooptação ou, quando muito, pressão social para o cumprimento de direitos consagrados. Ou seja: o que for decidido nestes espaços deverá vincular a atuação do aparato burocrático estatal, que se comprometerá, legalmente, à execução das políticas públicas no sentido da decisão tomada.

Detalhamentos

  • Para que se efetive são necessárias duas providências: a primeira… (TEXTO COMPLETO EM NOSSO MATERIAL DO CURSO PRESENCIAL SEMIEXTENSIVO)

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