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Tema de redação da Unesp retrata a facultatividade do voto no Brasil
   Luiz  André Medeiros  │     19 de dezembro de 2017   │     20:24  │  0

Nessa terça-feira realizaremos a abordagem de uma temática amplamente discutida durante nossas aulas de revisão e aprofundamento. Dezenas de alunos de nosso projeto foram realizar as provas da UNIFESP e UNESP, e agora aguardam a segunda fase da prova da FUVEST. Temos a certeza de que as aulas ministradas foram impulsionadoras de incríveis textos! Confira agora a análise da temática:

 

 

O tema da redação da prova da Unesp, nessa segunda dia 18, foi sobre a facultatividade do voto. Em forma de pergunta, a banca questiona o aluno sobre se deveria ser ou não obrigatório. Considero o tema bastante relevante nesse momento político bem delicado e com uma crise de representatividade que as democracias ocidentais, doravante o Brasil, passa.

Na América do Sul, apenas alguns países como Colômbia, Paraguai, Suriname e Guiana adotam o voto facultativo. Ao contrário dos países da América Central, a tradição sul-americana é a do voto obrigatório.

Ao olhar nossas eleições presidenciais modernas, vemos resultados onde a presença dos eleitores foi maior que a abstenção. Em 1989, pelo inusitado, tivemos a única em que os não eleitores foram bem menos que o esperado e o total de votantes chegou a 81%. Em 1994, os votantes caíram para 66% e, em 1998, para 63% do eleitorado, o que indica quão desmobilizadoras foram as eleições dominadas pelo Plano Real. Em 2002 e 2006, a proporção de votantes voltou a subir, para perto dos 75%.

O que isso indica é que, apesar da obrigatoriedade formal, o eleitorado brasileiro se comporta de maneira igual ao que declara que faria se o voto fosse facultativo. Ou seja, o fato de o voto ser obrigatório não determina nem que todos queiram votar nem que votem.

Note-se que, caso fossem considerados os números de outras eleições, como as municipais e legislativas, teríamos, em muitas situações, um aumento das distâncias entre eleitores e votantes. Entendo que há outras medidas mais eficazes para incentivar a participação dos cidadãos, como aumentar a satisfação dos eleitores com os governos, adotar um sistema eleitoral proporcional e promover debates públicos em portais de internet.

Muitos críticos da proposta facultativa afirmam que, apesar de estar entre uma minoria no cenário mundial, o Brasil deve manter a política de obrigatoriedade do voto já que, em razão dos elevados índices de corrupção e cassação de mandatos, o país ainda não está preparado para adotar o voto facultativo. Isso exige em contrapartida uma extraordinária valorização do aspecto cidadão. Estamos submersos na ideia de que a cidadania se restringe aos momentos eleitorais. Os eleitores brasileiros não têm um conhecimento mais profundo sobre os partidos políticos. A cidadania é relacionada apenas com o direito ao voto e, o Capital Social, no sentido que orienta a sociologia de Robert Putnam, é mínimo.

Fator primordial de estudo é lembrar que os países que adotam o sistema voluntário de participação eleitoral cultivam uma pedagogia intensa em torno da valorização do voto, o que não acontece no Brasil. A votação facultativa em países democráticos se deve ao alto grau de politização da sociedade e a uma presença mais forte da cultura de cidadania, caso da Espanha, Alemanha, Canadá, Itália, Portugal, Israel, Japão – esses países adotam a cláusula de barreira, fato que restringe o ingresso parlamentar de partidos que não alcançam um percentual mínimo.

Em países europeus como a Alemanha, o alistamento eleitoral é obrigatório, mas o voto é facultativo. Nas eleições, em de 2013, cerca de 62 milhões de alemães estavam aptos a votar, e o comparecimento às urnas foi maior do que 70%. Já no Chile, no último domingo, a vitória do candidato de centro-direita Sebastian Piñera, teve um comparecimento de menos da metade dos eleitores, o que diminui a legitimidade da vitória.

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Modelo de Redação UNCISAL – Redação em Debate (2)
   Luiz  André Medeiros  │     12 de dezembro de 2017   │     11:09  │  0

Nessa terça-feira, promovemos em nosso blog mais um estudo sobre as possíveis temáticas para o vestibular da UNCISAL que ocorrerá no próximo fim de semana. Confira abaixo mais um texto produzido, nos moldes desejados pela banca corretora do vestibular, sobre uma temática bastante cotada para estar presente na prova:

Introdução em 3 períodos

O descaso e a despreocupação com a educação no Brasil são partes integrantes de nossa história. Enquanto na Europa vivia-se um período de renascimento econômico-cultural, o Brasil colônia ainda estava imerso em sua forma escravagista de produção agrária e de mineração. A crença social de que a “criança deve trabalhar desde cedo para não se tornar bandida”, vai ao encontro da concepção de que a educação escolar, em nosso país, é socialmente compreendida como algo acessório e secundário na formação de um cidadão e no desenvolvimento econômico do país.

Primeiro Desenvolvimento em 3 períodos

A desatenção com o processo educacional ao longo da história da consolidação da sociedade brasileira trouxe, e ainda traz, problemas nos diversos segmentos sociais. Não há como se conceber um país economicamente forte e solidificado a longo prazo, desrespeitando-se o direito fundamental ao acesso ao ensino e à educação. Construções comportamentais de intolerância, produções legislativas inócuas, administrações públicas caóticas, retrocessos de direitos fundamentais conquistados, aumento da criminalidade e até perda de investimentos estrangeiros, são exemplos dos efeitos colaterais do subdesenvolvimento educacional brasileiro.

Segundo Desenvolvimento em 3 períodos

Demonstra-se, dessa maneira, que o sucesso econômico em longo prazo de um país passa, necessariamente, pelo seu capital humano de qualidade. Em recente estudo realizado pelo Fórum Econômico Mundial, sobre o êxito dos países em preparar sua gente para criar valor econômico, o Brasil apresentou a 83ª colocação na qualidade da educação, dentre 130 países analisados. Assim, é de se concluir que a educação escolar de qualidade é a base para o desenvolvimento social e econômico, já que nos países melhor avaliados, há baixíssimos índices de violência e criminalidade, desemprego e pobreza.

Conclusão em 2 períodos com Intervenção

Ignorar dados internacionais sobre a má qualidade da educação escolar de nossos jovens significa ir de encontro ao crescimento econômico-social que se almeja e que é alardeado pelo Poder Público. Por esse motivo, qualquer modificação ou atualização do processo político-pedagógico deve ser visto sob o enfoque de que o estudante é o verdadeiro sujeito de direitos, mediante a construção de centros de educação infantis e de pré-escolas, da contratação de professores e disponibilização de vagas escolares para não violar integralmente os direitos fundamentais à educação e à dignidade da pessoa humana regulamentados pelo Estatuto da Criança e do Adolescente.

 

Análise do Texto

Nota-se uma redação em três períodos introdutórios com a ideia de reafirmar o tema iniciando a análise do texto –  invertemos a Visão Universalista para o segundo período com uma análise histórica a fundamentar as diferenças entre o que acontecia na Europa e no Brasil no mesmo período. A tese acabou generalizada para mostrar ao aluno a força dos argumentos nos parágrafos de desenvolvimento. O aluno também poderia trazer as duas teses na introdução, modelo clássico que o Saber em Debate já consagrou.

Os parágrafos de desenvolvimento mostram a força do texto ao apresentar os componentes de convencimento do leitor – no primeiro desenvolvimento através da comprovação de que um país só poderá ser forte na medida em que a educação seja um componente de estado – note que a estratégia desenvolvida remete a comprovação com exemplificações de maneira enumerada. Já no segundo a estratégia foi buscar uma comprovação com a estatística da colocação brasileira em fóruns internacionais, o último período, com a afirmação de um argumento comparativo. Vejamos: Assim, é de se concluir que a educação escolar de qualidade é a base para o desenvolvimento social e econômico, já que nos países melhor avaliados, há baixíssimos índices de violência e criminalidade, desemprego e pobreza”.

 

Na conclusão a estratégia foi buscar a intervenção em dois períodos com uma reafirmação das teses apresentadas de forma breve e uma solução com uma proposta dividida em várias situações, reforçadas com a força do Estatuto da Criança e do Adolescente.

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Modelo de Redação UNCISAL – Redação em Debate
   Luiz  André Medeiros  │     2 de dezembro de 2017   │     15:38  │  0

Atendendo a pedidos de diversos de alunos e seguidores de nosso blog, decidimos realizar uma nova postagem como um modelo de redação atualizado que atenda as exigências do vestibular UNCISAL. Confira abaixo nosso texto:

Modelo de Redação Uncisal

Tema  – A cidadania como geradora de políticas públicas no Brasil

Ideia Geral – A participação cidadã é vista como um processo capaz de gerar uma nova dinâmica de organização social, fomentando a intervenção da população nas políticas públicas. Não se esgota dentro do projeto, mas relaciona-se diretamente com questões amplas, tais como democratização, equidade social, cidadania e defesa dos direitos humanos. Neste sentido, requer a democratização do poder sobre o uso de recursos financeiros e sobre a definição e implementação de políticas públicas, entre outros fatores.

 

Introdução

Em consonância com as ideias do filósofo alemão Karl Marx, toda crise tem sua própria história e suas próprias consequências. Em comum, percebe-se a interação dialética entre relações sociais e econômicas que indicam alterações comportamentais, determinantes de mudanças e rupturas insuspeitadas que são geradas pela busca da cidadania. Assim, em um mundo globalizado, existem poderes econômicos mais fortes que qualquer parlamento e sempre haverá muitas pressões e, por isso, é necessário que a cidadania siga mobilizada para buscar suas prioridades na agenda política.

Desenvolvimento

Historicamente, a democracia nos foi apresentada como um ponto de chegada, como algo já feito e acabado, mas foi um erro, pois essa se constrói a cada dia com a participação cidadã. No que diz respeito à sua composição, o Congresso Nacional, instituição que congrega nossas demandas,  condensa o que há de mais conservador da política e não dá conta da diversidade e do pluralismo da sociedade brasileira. Mais de 70% dos parlamentares federais são ruralistas ou empresários (de diversas áreas, como saúde, educação, comunicação, indústria, etc.). E mais: Menos de 10% é ocupado por mulheres (ainda que sejam mais da metade da população do país); somente 8,5% se declaram negros; nenhum é indígena e menos de 3% são jovens.

Porém, engana-se quem acredita que essa crise do modelo de representação é direcionada exclusivamente para o sistema político. Os meios de comunicação também são colocados em xeque durante protestos. Após o comportamento da grande mídia diante dos atos de rua, marcado pela manipulação das informações veiculadas, a Rede Globo tornou-se também um alvo da insatisfação popular – não é raro ouvir os manifestantes gritando palavras de ordem como “o povo não é bobo, abaixo a Rede Globo” – , o que demonstra a importância da cidadania midiática. Neste sentido, abriu-se uma oportunidade de massificar, de forma mais contundente, a pauta da democratização da comunicação, em articulação com a reforma do sistema político.

Conclusão

Por esses motivos, a democratização das comunicações, especialmente a partir da luta por um novo marco regulatório para o setor (tendo como estratégia a coleta de assinaturas para um Projeto de Lei de Iniciativa Popular) e a reforma do sistema político, por meio da realização de uma Constituinte Exclusiva e Soberana, apresentam-se como duas demandas essenciais no processo de radicalização da democracia brasileira. Logo, acredita-se que, no pensamento do dramaturgo alemão Bertold Brecht, apenas quando o cidadão é instruído pela realidade pode mudá-la, já que o pior analfabeto é o analfabeto político.

 

O texto segue o estilo clássico de escrita com a introdução em 3 períodos e os parágrafos de desenvolvimento trazendo os argumentos e as respectivas interpretações de forma clara. A introdução e o primeiro de desenvolvimento trazem Visões Universalistas filosóficas e históricas e o segundo de desenvolvimento fecha, no último período, com a ideia que será exposta na retomada da conclusão. Na conclusão apresentamos uma retomada dos argumentos apresentados seguidos de intervenções – notem os detalhamentos nas duas teses e o último período com uma alusão ao pensador alemão Bertold Brecht.

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