Redação da aluna Maria Eduarda Andrade – Saber em Debate
   Luiz  André Medeiros  │     25 de julho de 2018   │     8:46  │  0

Nessa quarta-feira, disponibilizamos mais uma produção de uma de nossas pérolas do Projeto Redação em Debate, a aluna Maria Eduarda. Sua produção se destaca pela riqueza de conteúdo, ferramenta de suma importância para proporcionar qualidade ao texto e que, em nosso projeto, enfatizamos constantemente durante nossas aulas e plantões. Confiram a seguir o texto:

TEMA: OS CAMINHOS DA SEGURANÇA PÚBLICA NO BRASIL: ENTRE O FÁCIL E O NECESSÁRIO

ALUNA: MARIA EDUARDA ANDRADE

A ilha de Utopia, idealizada por Thomas Morus, retrata uma civilização desprovida de violência e, então, altamente segura. Todavia, percebe-se a inexistência desse lugar no mundo real, pois a segurança pública não é plenamente concretizada e os índices de violência aumentam exorbitantemente, sobretudo no Brasil. Esse cenário caótico e degradante é fruto da injusta exclusão social e da intencional inoperância estatal. Logo, o urge a indispensabilidade da união entre legislador e civis para que a paz pertença a uma realidade empírica, não a um ideal nem a uma utopia.

 

 O que a Duda fez?

Com a divisão em quatro períodos, a introdução inicia-se com visão filosófica de Thomas Morus, quando evidencia uma civilização desprovida de violência.  No período posterior, Duda coaduna com a Visão Universalista ao expor a inexistência desse lugar no mundo real, pois os índices de violência aumentam exorbitantemente.  Nos últimos períodos, vê-se  apresentação das teses.

 

Antes de tudo, é digna menção da bipartição socialmente imposta, a qual glorifica os ricos e monstrualiza os pobres e, por conseguinte, marginaliza e suga as possíveis oportunidades que seriam fornecidas a esses, enquanto aqueles desfrutam de todos os privilégios proporcionados por essa separação escatológica. É evidente, assim, que o abandono dos menos favorecidos retira bruscamente as chances de ascensão social legais, de modo a, quase sempre, obrigá-los a buscar esse progresso por meios ilícitos – neste momento o Governo, ausente até então, resolve intervir com o uso da força e da violência. Nota-se, portanto, a solidificação de medidas para garantir a segurança somente em alguns momentos e para com alguns grupos, bem como constatam os estudos de Stanley Cohen, quando confirma a atuação governamental apenas perante o crime.

 

 O que a Duda fez?

Duda evidencia  que o abandono dos menos favorecidos retira bruscamente as chances de ascensão social legais, de modo a, quase sempre, obrigá-los a buscar esse progresso por meios ilícitos. O primeiro desenvolvimento trouxe a VISÃO SOCIOLÓGICA de Stanley Cohen,  ao dar mais consistência argumentativa para sua defesa. Com a apresentação  do seu ponto de vista, é  digna menção da bipartição socialmente imposta, a qual glorifica os ricos e monstrualiza os pobres .Argumentação com autoria

 

Somada a essa ideia, ainda há a negligência premeditada do Estado, uma vez que é perceptível a elevação da apreensão e do medo como mecanismo de exercício de poder e controle sobre as massas. Vale ressaltar a antidemocrática mudança da máquina administrativa de defensora da segurança para um entre tantos outros agentes responsáveis pela proliferação de ameaças. Esse ambiente putrefado só prova que a crise na Segurança Pública brasileira não é uma falha, mas sim um projeto: consolidar o despotismo estatal e subordinar a população à aceitação de migalhas como respaldo – prática já impregnada devido à falta de informação e desenvolvimento do questionamento. Tal contexto, pragmático e demagógico, concretiza as pesquisas de Zygmunt Bauman acerca da violência social, ao depositar sobre o Estado o peso de influenciador direto do crescimento da impetuosidade como ferramenta de coercitividade.

 

O que a Duda fez?

Com a reafirmação da 2ª tese, no desenvolvimento, evidencia a negligência premeditada do Estado, uma vez que é perceptível a elevação da apreensão e do medo como mecanismo de exercício de poder e controle sobre as massas. Configurou-se boa interpretação ao mostrar que a crise na Segurança Pública brasileira não é uma falha, mas sim um projeto: com a consolidação o com o despotismo estatal e subordinar a população à aceitação de migalhas como respaldo.  Assim, com excelente defesa do seu ponto de vista.

 

Diante desses impasses, é urgente que o Congresso Nacional, mediante o aumento do percentual de investimentos, proporcionado por uma alteração na Lei de Diretrizes Orçamentárias, amplie o setor educacional, por meio de palestras ministradas por especialistas na área (como mestres e doutores em Sociologia e Segurança Pública), com vistas à formação cidadã respaldada pelo saber e, então, o desenvolvimento da razão crítica, de forma a possibilitar a compreensão dos artifícios usados pelos representantes para exercer  controle, consequentemente, a não subordinação a essa prática tirana.

 

O que a Duda fez?

Duda apresentou proposta de intervenção com os 4 elementos essenciais e com o devido detalhamento. De forma colorida, nota-se que foram usadas, para cada elemento essencial, cores diferenciadas. O detalhamento está, em destaque, com a cor verde. Salientar o fato de a aluna estabelece como proposta a alteração da Lei de Diretrizes Orçamentárias – importante explicar aos leitores do blog da Gazetaweb que as peças orçamentárias são leis votadas pelo Congresso Nacional e que, nesse caso, a alteração deveria ser no Plano Plurianual como proposta de longo prazo que perpassa todo o tempo de um governo ao longo de 4 anos.

 

 

  • COMPETÊNCIA I = 200 PONTOS

O texto revela excelente domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa, pois sua estrutura sintática está completa (sem truncamentos) onde as ideias da Duda foram reproduzidas com clareza e promoveu uma leitura fluida.

COMPETÊNCIA II = 200 PONTOS

O texto deve ser avaliado com 200 pontos por apresentar argumentação consistente a partir de um repertório sociocultural produtivo (“filósofo Thomas Morus” e a “visão sociológica de  Stanley Cohen e Zygmunt Bauman).  Apresenta um excelente domínio do texto dissertativo-argumentativo com proposição e de conclusão de ideias.

COMPETÊNCIA III = 200 PONTOS

Em defesa do ponto de vista de que “segurança pública não é plenamente concretizada e os índices de violência aumentam exorbitantemente, sobretudo no Brasil”, o texto apresenta informações, fatos e opiniões relacionados ao tema proposto e ao recorte escolhido. Nos parágrafos de desenvolvimento articulam a temática de que há a negligência premeditada do Estado, uma vez que é perceptível a elevação da apreensão e do medo como mecanismo de exercício de poder e controle sobre as massas. Em seguida, de modo consistente, argumenta que a crise na Segurança Pública brasileira não é uma falha, mas sim um projeto. O texto, claramente, configura autoria e não se enquadra no nível 4.

  • COMPETÊNCIA IV = 200 PONTOS

O texto possui partes muito bem articuladas e apresenta repertório diversificado de recursos coesivos, como se pode verificar na utilização de anáfora (“a qual”, 2º parágrafo) e conjunções (“logo” e “todavia”, 1º parágrafo; “portanto”, 2º parágrafo, entre outros no decorrer da dissertação). Por não apresentar inadequações na articulação entre as partes do texto, a redação não poderia ser avaliada como sendo de nível 4.

  • COMPETÊNCIA V = 200 PONTOS

O texto enquadra-se no nível 5, porque apresenta proposta de intervenção relacionada ao tema, muito bem elaborada e articulada com os argumentos desenvolvidos. Há menção do agente diferenciado que pode intervir na melhoria no setor educacional (por meio de palestras ministradas por especialistas na área). A proposta apresenta os quatro elementos essenciais com o seu devido detalhamento.  O texto não pode ser enquadrado no nível 4, em razão do grau de detalhamento da proposta de intervenção.

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