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Por que devemos ler Vidas Secas de Graciliano Ramos?
   Luiz  André Medeiros  │     24 de julho de 2019   │     0:02  │  0

Autor da visão Graciliano Ramos – Todos que leram o livro “Vidas Secas” de Graciliano Ramos devem ter percebido a grande dificuldade do personagem principal em pensar a si mesmo como sujeito. O livro conta a história de Fabiano e de sua família em uma Odisseia pelo sertão do nordeste, no período da seca.  Ele e sua esposa, Sinhá Vitória, seus dois filhos e a cadela Baleia, viajavam embaixo de um sol escaldante, sempre buscando sobreviverem. A vida de Fabiano era de um retirante, onde não há relações duradouras, não há uma narrativa continua e linear. Sua vida era tão árida como o meio ambiente a sua volta. A seca não era apenas a condição de seu meio, mas era também de seu mundo interior. A carência e escassez do sertão estavam profundamente enraizadas em sua alma.

Pensamento – Mesmo naquele mundo árido, a opressão e as relações de poder e de classe estavam presentes. Fabiano sempre era explorado e enganado, sentia dificuldade em pensar sobre essa exploração. Era desprovido de raciocínio e de reflexão, desumanizado pela seca, pela miséria e pelas relações de poder dos proprietários da região. Como consequência disso, sua linguagem era pobre, sua visão de mundo era limitada e fragmentada.  Naquele ambiente ele sentia-se bem apenas diante dos animais e confundia-se com eles.

É fácil entender – Fabiano não é apenas um personagem de Vidas Secas, ele também personifica a imagem de muitos indivíduos nos grandes centros urbanos.  Sua pobreza vocabular, a grande dificuldade em raciocinar, a incapacidade de compreender as forças que o dominam e determinam sua existência são características de muitos brasileiros anônimos. Fabiano era desprovido de “linguagem”, por isso não conseguia pensar com autonomia, não conseguia perceber as forças que o subjugavam, que o condenavam a uma vida de miséria. Em uma passagem, ele percebe que o patrão lhe enganara em seu salário. Sente-se injustiçado e impotente, pois não sabe fazer contas. Nesse sentido relaciona a linguagem a poderes mágicos, que só os homens “sabidos” podem ter.  A pobreza vocabular de Fabiano impedia-o de compreender sua exploração

Destaque – A linguagem é essencial na vida dos seres humanos. O homem sem linguagem torna-se um primitivo, torna-se um animal.  Fabiano era um animal.  Ser desprovido dos benefícios da linguagem é parte da miséria humana e ajuda a perpetuá-la. A miséria nasce da “ignorância”.  O olho vê apenas o que está em seu campo visual, mas é a linguagem que abre as portas da percepção.  A linguagem revela, mostra o efêmero, o indizível, o oculto, o indelével. Ela capta o universal no particular, nesse sentido é libertadora. O filósofo Ludwig Wittgenstein já dizia que “os limites da minha linguagem são os limites do meu mundo”. Fabiano não tinha um mundo, vivia de forma inconsciente, não era capaz de refletir sobre suas circunstâncias.  Só podemos representar e compreender o mundo através da linguagem. Não há pensamento sem linguagem. Aquilo que está fora de minha linguagem, está fora de meu mundo.

Visão UniversalistaNa concepção da obra Vidas Secas de Graciliano Ramos,  a história de Fabiano mostra que a experiência e o destino não são conduzidos pelo acaso, pois a sociedade depende de forças, por muitas vezes,  incontroláveis. Que a vida particular de cada indivíduo está inextricavelmente ligado a seu meio e a sua sociedade. Que nossas ações não são independentes da ordem do todo. Que o nosso cotidiano e nossa vida são determinados por acontecimentos históricos diversos, mesmo que sejam distantes no tempo e no espaço.  Fabiano vive de uma geração a outra numa determinada sociedade, em um certo estágio das forças produtivas, subjugado por um mundo de carência, escassez e opressão.

Temas em que pode ser usada a sua ideia:

– A opressão do poder não está apenas no Estado.

– Os meios de comunicação de massa como mecanismos de poder sobre as pessoas.

– A alienação como fundamento de dominação na imprensa.

Produzindo o texto

1 – O personagem de Graciliano mostra que só podemos avaliar nossa experiência e nosso destino compreendendo as forças históricas e as relações de poder que nos determinam. Explique.

2 –  Segundo o sociólogo inglês Wright Mills, os homens “raramente têm consciência da complexa ligação entre suas vidas e o curso da história mundial, por isso os homens comuns não sabem, quase sempre, o que essa ligação significa para os tipos de ser em que se estão transformando e para o tipo de evolução histórica de que podem participar”. Explique a frase.

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A mobilidade urbana e os reflexos sociais e econômicos no Brasil
   Luiz  André Medeiros  │     29 de junho de 2019   │     18:50  │  0

O projeto Saber em Debate apresenta, neste sábado, mais uma análise introdutória de um tema de bastante relevância para o ENEM e os demais vestibulares que exijam do aluno uma análise social e econômica do meio em que está inserido.

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Que tipo de redação preciso escrever – Saber em Debate
   Luiz  André Medeiros  │     21 de fevereiro de 2019   │     19:01  │  0

Introdução

Como a introdução é a porta de entrada do texto e o primeiro contato que o corretor terá com as ideias que virão a seguir, uma série de aspectos fundamentais já devem ser avaliados neste parágrafo inicial. Há detalhes essenciais e, caso não apareçam, você deve fazer os apontamentos necessários. Os alunos têm muitas dúvidas e frequentemente afirmam não saber como começar.

 

Em primeiro lugar, entenda que a sua introdução apresentará 3 períodos:

 

  1º período: REPERTÓRIO SOCIOCULTURAL/VISÃO UNIVERSALISTA;

 

2º período: APRESENTAÇÃO DO TEMA;

 

  3º período: APRESENTAÇÃO DOS ARGUMENTOS/ TESE– DEFESA DO PONTO DE VISTA.

 

DICA SABER EM DEBATE :  Lembre-se de SEMPRE usar as palavras -chave do tema no seu parágrafo introdutório, antes de usá-las, analise bem o tema, planeje incansavelmente o desenvolvimento, use sua inteligência, para ter certeza daquilo que será incluso em seu texto

                                                    

>>> ENTENDA A IMPORTÂNCIA DE CADA PERÍODO

 

1º período: REPERTÓRIO

Elemento importante para a redação do Enem e requisito fundamental para que o participante atinja as notas mais altas na Competência II, o repertório sociocultural configura-se como toda e qualquer informação, fato, citação ou experiência vivida que, de alguma forma, contribui como argumento para a discussão proposta pelo participante. Alguns argumentos que podem caracterizar o repertório esperado são:

[…] provas concretas (dados ou fatos sobre o tema), exemplos (fatos similares ou relacionados ao tema), autoridades (citação de especialistas no tema), lógica (causa e consequência, por exemplo) e senso comum (o que as pessoas em geral pensam sobre o tema) (CANTARIN, BERTUCCI; ALMEIDA, 2016, p. 78).

Porém, a origem do repertório, a sua legitimação, a sua pertinência ao tema e o uso que o participante faz dele são o que determinará a classificação de um texto nos níveis 2, 3, 4 ou 5. Essa classificação será feita de acordo com as seguintes etapas:

  • primeiramente, é preciso identificar se a origem do repertório está ligada aos textos motivadores ou não;
  • se está ligada aos textos motivadores, é preciso diferenciar textos cujos argumentos são limitados a muitos trechos de cópias dos textos motivadores daqueles apenas baseados nos textos motivadores;
  • se a origem do repertório não está ligada aos textos motivadores, devemos verificar se há ou não legitimação, pelas áreas do conhecimento, de informações, fatos, citações ou experiências vividas;
  • quando o repertório apresenta legitimação, é preciso verificar sua pertinência ao tema, isto é, se o repertório é associado ao menos a um dos seus elementos. Na proposta de redação do Enem 2017, os elementos do tema foram: surdos, formação educacional e desafios. Nesse sentido, o repertório legitimado e pertinente deve estar associado por sinônimos, hiperônimos ou hipônimos a pelo menos um dos elementos do tema;
  • se o repertório apresenta legitimação e pertinência ao tema, devemos atentar para o seu uso, sendo considerado improdutivo quando não está vinculado à discussão proposta pelo participante e produtivo quando é possível perceber essa vinculação.

 

 

  • Aumenta o repertório sociocultural;
  • Estabelece conexão entre um juízo de valor e a sua argumentação;
  • Áreas: Sociologia, Filosofia, Política, História, Geografia, Literatura, Documentários, Livros etc…

– Como introduzir  o REPERTÓRIO SOCIOCULTURAL:

– Em coadunação com;

– Em conformidade com;

– Sob a óptica de;

– Sob a égide de;

– Na visão de;

– Segundo;

                – De acordo com.

OBS: USO DESMEDIDO DE V.U.S

– Utilize 2-3 durante todo o seu texto:

INTRO e D1: OBRIGATÓRIO;

D2: FACULTATIVO;

– Não utilize muitas linhas para expor a V.U à SEJA OBJETIVO!

– CUIDADO: A utilização de muitas V.U.s torna seu texto mais EXPOSITIVO do que DISSERTATIVO-ARGUMENTATIVO;

– Parágrafo (7/8 linhas) à 2/3 linhas: V.U. & 5/6 linhas: ARGUMENTAÇÃO;.

 

2º período: APRESENTAÇÃO DO TEMA

A explicitação do tema, ao ressaltar a relevância da questão em debate. Essa função é muito importante, uma vez que é a partir dela que o enunciador revela para a banca ter compreendido integralmente a proposta:

 

– é bom lembrar que esse período tem que coadunar com a Visão Universalista apresentada;

 

– não esqueçam de usar as palavras-chave do TEMA nesse período!

 

 

3º período: APRESENTAÇÃO DA TESE – “ EMBRIÕES” DA SUA DEFESA DO PONTO DE VISTA

 

tese é um elemento essencial na composição do texto. Não apresentá-la significa não se adequar de forma eficiente ao gênero dissertativo-argumentativo, o que compromete significativamente a nota da redação. Mas, afinal, o que é tese e como elaborá-la? Leia as dicas a seguir e esclareça suas dúvidas! 😉

  • Define-se tese como opinião, o seu ponto de vista sobre o tema proposto. Pode ser apresentada por meio de declarações afirmativas ou negativas.
  • Por que a tese é tão importante?O texto é constituído de argumentos para justificar aquilo que você acredita ser a situação-problema. Portanto, é por meio dela que você indica, logo na introdução, o que será exposto nos parágrafos de desenvolvimento.
  • Você deverá defendera tese ao longo do texto; mostrar, com sua argumentação, a relevância e validade da discussão que você propõe.
  • Mesmo que seja a sua opinião, a tese deverá ser defendida de forma impessoal. Nada de usar expressões como “eu acho que…”, “acredito que as causas do problema sejam…”, dentre outras.
  • Considerando o tópico acima, modalize seu discurso de forma a expor a tese como um fato, uma verdade.
  • Sua função é a de persuadir o leitora respeito daquilo que você acredita, então pense bem se será capaz de sustentar aquele pensamento. Reflita se há argumentos consistentes para fundamentar a tese proposta.
  • Tese também é posicionamento crítico. Isso significa que você não deve se ater a ideias próprias do senso comum. Demonstre autoria, seja crítico e reflexivo ao expor sua opinião.
  • Você pode defender qualquer tese, desde que ela respeite os Direitos Humanos e aDiversidade Cultural.
  • Uma dica é pensar bem e escolher primeiro o que irá fundamentar como argumento. Depois disso, elabore uma tese que roteirize as ideias para os parágrafos seguintes.

– Apresenta o que você irá tratar no decorrer dos desenvolvimentos;

– Atrai a atenção do corretor;

– Utilize apenas teses que você tem conhecimento e propriedade para argumentar

DICA SABER EM DEBATE: Um bom texto argumentativo tem algumas características: apresenta uma tese bastante clara ;apresenta argumentos diversos para sustentá-la: “objetivos” (quantitativos, “científicos”, ideológicos, “universais”); mostra efeitos benéficos da adoção da tese; mostra que a tese tem opositores; tenta diminuir o valor dos argumentos contrários.

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Repertório Coesivo – Saber em Debate
   Luiz  André Medeiros  │     29 de novembro de 2018   │     14:16  │  0

REPERTÓRIO COESIVO

A definição de repertório coesivo é compreendida como uma série de recursos coesivos possíveis de serem mobilizados em um texto, considerando-se, especificamente no caso do Enem, a produção textual de tipo dissertativo-argumentativo. Desse modo, para analisar o repertório coesivo da redação, o corretor deve direcionar seu olhar para a qualidade do emprego de elementos linguísticos responsáveis pela coesão, ao verificar se eles estão colaborando para a articulação da argumentação do texto.  O valor do emprego do repertório coesivo em um texto dissertativo-argumentativo é verificado, primeiramente, pela presença concreta de elementos coesivos dentro e entre os parágrafos; em um segundo momento, se tais elementos se repetem ou não; e, em seguida, se estão mobilizados de maneira adequada ou não. Esses aspectos abrangem as inadequações, a observação da coesão intra e interparágrafos e as repetições, conforme é considerado a seguir.

INADEQUAÇÃO COESIVA

Um termo que aparece na Matriz de Referência para Redação do Enem é inadequação, cujo conceito diz respeito a utilização incorreta do elemento coesivo que, embora esteja presente no texto, não consegue construir as diversas relações de conexão típicas esperadas em um texto dissertativo-argumentativo (relações concessivas, adversativa, aditiva etc.). Dessa forma, ao verificar a adequação ou inadequação de determinado elemento coesivo em uma redação, os avaliadores devem analisar se ele contribui para o encadeamento dos enunciados de forma a estruturar uma orientação argumentativa com relações de sentido pertinentes àquilo que o aluno se propõe a justificar, a defender, a expor etc.

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Tema Redação ENEM 2018 – Saber em Debate
   Luiz  André Medeiros  │     4 de novembro de 2018   │     21:12  │  0

Com temática sobre a manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet, professor de redação e blogueiro da Gazetaweb traz o tema mais uma vez

O tema da redação do ENEM 2018 tratou da manipulação de dados das pessoas na internet. O professor de redação Luiz André Medeiros, responsável pelo aluno nota mil de Alagoas no ano passado Alan Nabor, sobre a importância do tema. Durante nossas aulas trabalhamos várias temáticas sobrea questão da privacidade como um direito do ser humano protegido pela Constituição como “Cláusula Pétrea”, e isso culminou com o tema que foi exposto que estou disponibilizando para vocês nesta matéria. Trabalhei com o tema ”A violação e proteção da informação pessoal na sociedade de consumo”. Na análise do professor do curso preparatório Saber em Debate e Solta a Língua, o tema fugiu das polêmicas políticas e também, depois de vários anos, das situações de hipossuficientes que eram as maiores apostas desse ano.

A utilização massiva de dados pessoais por organismos estatais e privados, a partir de avançadas tecnologias da informação, apresenta novos desafios ao direito à privacidade. Não obstante os diversos conceitos de privacidade, entende-se que a definição mais adequada é a que faz prevalecer a ideia de controle do indivíduo sobre as suas informações, em detrimento da ideia de isolamento do indivíduo. Conceituada dessa forma, a privacidade reflete claramente a existência de uma autonomia do seu titular na conformação desse direito. Isso significa que o titular tem a faculdade de conformar as fronteiras e os limites do exercício de seu direito à privacidade. Luiz André entende que o aluno precisaria enfatizar a ideia de que o direito à privacidade deve ser tratado sempre de modo a não ferir outros direitos e princípios do ordenamento jurídico, tais como a liberdade de imprensa, a criação cultural, a segurança dos cidadãos, a autonomia pública, entre outros.

Apesar dos avanços dos últimos anos através de legislações como a de crime cibernéticos e o Marco Civil da Internet, ainda restam regulamentações e, mesmo com a recente promulgação da Lei de Proteção de Dados Pessoais, ainda resta muita vulnerabilidade no tocante aos dados das pessoas na rede. “A combinação de diversas técnicas automatizadas permite a obtenção de informações sensíveis sobre os cidadãos, que passam a fundamentar a tomada de decisões econômicas, políticas e sociais. A análise do tratamento de dados pessoais no âmbito dessa relação deve considerar de forma prioritária a vulnerabilidade do usuário\consumidor nesse processo. ”

O aluno deveria ter usado seu repertório sociocultural através das Visões Universalistas ao trazer argumentos sociológicos que definam a ideia de que com os avanços da tecnologia da informação ocorridos, “fala-se por toda parte sobre a “morte da privacidade”, expressão que visa demonstrar a impossibilidade de se preservarem fatos e elementos da esfera privada diante do enorme fluxo informacional proporcionado pelas novas tecnologias”. “Sabe-se que há séculos o controle de informações pelas instituições sociais, tais como a Igreja e o Estado, esteve associado ao controle do poder na sociedade. No entanto, a partir de meados do século XX, o desenvolvimento tecnológico acarretou a intensificação dos fluxos de informação de uma forma nunca antes vista, o que levou à denominação da sociedade atual como sociedade da informação”. O aluno poderia destacar a utilização da visão do sociólogo espanhol Manuel Castells, ao defender que está em curso uma verdadeira revolução tecnológica, cujo núcleo se refere às tecnologias da informação, processamento e comunicação. Segundo ele, a sociedade que emerge dessa revolução tecnológica é a “sociedade em rede”, que se caracteriza não pela centralidade de conhecimentos e informação, mas pela “aplicação desses conhecimentos e dessa informação para a geração de conhecimentos e de dispositivos de processamento/comunicação da informação, em um ciclo de realimentação cumulativo entre a inovação e seu uso”. Isso significa que essa nova tecnologia da informação tem uma capacidade ininterrupta de difusão, na medida em que os próprios usuários dela se apropriam, redefinindo-a. Para finalizar o aluno poderia ter utilizado a visão de pensadores como Adorno e Horkheimer da Escola de Frankfurt com os conceitos de “indústria cultural” e “razão instrumental”; Byung –Chul Han com a ideia do excesso de positividade na sociedade contemporânea; Constituição Federal com os artigos 1º que trata de seus fundamentos e 3º que fala sobre seus objetivos como a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, entre outras situações universalistas.

Para finalizar, uma boa sugestão seria trazer as seguintes teses de desenvolvimento:

1ª Tese – Proteger a privacidade como direito fundamental.

Mostrar que cabe ao Estado, por meio de legislação, prover os mecanismos necessários para que o cidadão possa exercer o controle do fluxo de informações a seu respeito na sociedade. Tais constatações pressupõem que o discurso de direitos fundamentais, em uma sociedade pluralista, deve prezar antes de mais nada por um discurso da liberdade e da igualdade. Ele não pode visar impor uma única visão do mundo, nem uma determinada concepção de bem. No Estado democrático de direito, que se baseia na dignidade humana e na autodeterminação da pessoa, é fundamental que o indivíduo possa exercer livremente o controle de seus dados pessoais na sociedade, cabendo a ele a conformação e a interpretação do seu direito à privacidade informacional.

2ª Tese – garantir o direito como imprescindível.

Trabalhar a ideia de que o direito à privacidade, como uma espécie de direito à personalidade, constitui um direito tanto de caráter negativo (direito de defesa), como de caráter positivo (direito à prestação). Negativo, por delimitar uma esfera de proteção, que não pode sofrer intervenção do poder estatal ou privado, exigindo a abstenção do Estado nesse âmbito. Positivo, por ensejar também a obrigatoriedade de uma ação do Estado para garantir tal proteção. Assim, por exemplo, exige-se a intervenção estatal ao determinar a obrigatoriedade de prestar informações pelos órgãos que realizam o tratamento dos dados pessoais.

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